Em 2020, o trabalho remoto foi uma imposição. Em 2021 e 2022, virou experimento. Em 2023, as empresas começaram a puxar de volta. Em 2026, o que temos é um equilíbrio instável que varia muito dependendo do setor, do porte da empresa e da função.
Em Porto Alegre, o cenário tem algumas particularidades. A cidade tem um setor de tecnologia relevante, com empresas que adotaram o remoto de forma mais permanente. Mas também tem uma cultura empresarial tradicional, especialmente no setor financeiro e no varejo, que resistiu ao modelo híbrido.
Conversei com dezenas de profissionais gaúchos nos últimos meses sobre como está sendo essa experiência. Algumas observações que me pareceram relevantes:
Primeiro, a maioria prefere o modelo híbrido ao totalmente remoto ou ao totalmente presencial. A flexibilidade importa, mas o contato humano também. Trabalhar de casa todos os dias pode ser isolante; trabalhar no escritório todos os dias pode ser exaustivo.
Segundo, a qualidade do trabalho remoto depende muito da infraestrutura doméstica. Quem tem um espaço dedicado, boa internet e consegue separar vida pessoal de profissional tem uma experiência muito melhor do que quem trabalha da mesa da cozinha com filhos pequenos ao redor.
Terceiro, as empresas que melhor gerenciam o trabalho remoto são as que investiram em cultura e comunicação, não apenas em ferramentas. Ter o Slack ou o Teams não é suficiente se a liderança não sabe como criar coesão à distância.
O trabalho remoto veio para ficar — mas não da forma que muitos imaginaram em 2020. É uma ferramenta, não uma solução universal. E como toda ferramenta, funciona melhor quando usada com inteligência.